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iSaludos latinoamericanos!
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iSaludos latinoamericanos!
Ano passado, no encontro de História das Américas realizado na Ufes pude fazer um ótimo minicurso de cinema com as jovens doutoras Mariana Vilaça e Mônica Araújo Lima. Cada uma seguiu um pouco de sua linha de pesquisa: Mariana sobre cinema cubano e Mônica sobre o argentino. Apesar do pouco tempo de curso deu pra aprender algumas coisas, que vou explicitar adiante.
O chamado Nuevo Cinema Latino-Americano foi um importante movimento artístico e político que floresceu principalmente nos anos 60 e 70. Na Argentina, a produção iniciou-se no Instituto de Cinematografia de Santa Fé, que apesar de sua curta duração (1956-1962) foi muito relevante na formação dessa escola latino-americana. Foi fundada pelo grande expoente argentino do nuevo cine, Fernado Birri. O cineasta havia estudado em Roma, onde sofreu influência do Neo-realismo italiano (Roberto Rosselini, Vittorio de Sica, Luchino Visconti), que encontrou formas baratas de fazer cinema no período pós-guerra e que tinha como marcas a grande recorrência às cenas externas e à abordagem do homem-comum. Birri também utilizou conceitos de Gramisci para defender o cinema como uma forma de disputa de hegemonia através do discurso. Tratava-se de uma tentativa de fazer um cinema que servisse tanto para a arte como para a trasformação social. A principal obra de Birri é o filme Tiridí.
O golpe violento golpe militar argentino em 1966 viria a causar importantes efeitos no cinema do país. Fernando Birri fugiu para o Brasil, onde desempenhou papel relevante. Enquanto isso, desenvolvia-se o Grupo Cine Liberación (1966-1971) que teve como membros destacados Fernando Solanas, Octavio Getino e Gerardo Vallejo. O filme mais importante desse movimento é a trilogia documental La Hora de Los Hornos, de Fernando Solanas, que conta a história de exploração e aponta possibilidades de transformação social a partir da luta popular.
No caso cubano, também destaca-se o tom documental e é relevante a influência do cinema-verdade francês e do cinema soviético (como o clássico “O Homem com a Câmera”, de Vertov). Um dos destaques é o documentário Hasta Siempre, de Santiago Álvarez. Muitos artistas vão filmar em Cuba à convite do governo revolucionário que acabara de assumir o poder.
Porém, a figura mais relevante do cinema cubano é Tomás Gutierrez Alea. O cineasta é um caso atípico, que utiliza a ironia, a paródia e a metáfora. Seu filme mais famoso, Memórias do Subdesenvolvimento, conta a história de um escritor burguês simpático à revolução cubana, mas que não consegue se inserir nela. Acaba perdido num vazio entre uma burguesia que foge para Miami e uma revolução popular que não é sua. Neste e em outros filmes o cineasta usa sua sutilieza para criticar a burocracia do sistema soviético, o que desagrada o governo cubano. Porém, por seu grande sucesso e projeção internacional desde o início da carreira, Alea acaba sendo “tolerado” pelo regime castrista. Ao abusar da ambiguidade, ele destoa da maioria dos autores do cinema político, que geralmente utilizam o maniqueísmo como recurso.
Outro importante feito para o cinema latino-americano foi a criação da Cinemateca del Tercer Mundo, no Uruguai. Na época, tratava-se do país onde mais se assistia filmes no continente, dotado de forte cultura cinematográfica. Porém, a ditadura militar destruiria a cinemateca, que mesmo assim continuaria tendo uma importância histórica por servir de exemplo para tentativas de fazer algo parecido em outros países da região.
“”Independência ou morte!”. O grito de D. Pedro primeiro às margens do Rio Ipiranga e o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas a Portugal mediante empréstimo da Inglaterra geraram o reconhecimento da nossa independência. Diplomaticamente o Brasil estava livre da colônia num processo que derramou mais tinta do que sangue e deu orgiem a um país nascido com uma dívida externa.
Ao contrário, a maioria dos países sul-americanos esteve envolvida em duras batalhas militares entre frentes independentistas e o exército real espanhol. Os heróis desse processo batizam diversas praças, ruas e avenidas ao longo do continente: Simón Bolívar, Sucre, San Martín, entre outros. Os libertadores da América pertenciam à classe chamada de criollos, descendentes de espanhóis nascidos no Novo Mundo, que começaram a desenvolver o sentimento nacionalista e divergências de interesse em relação à metrópole. 
O que muita gente não sabe é que dentre os heróis da indepêndencia sul-americana está um brasileiro que chegou a ser um dos mais importantes e influentes membros do exército libertador. O pernambucano José Inácio de Abreu e Lima foi exilado após a Revolução Pernambucana de 1817 e se alistou nas tropas de Bolívar, nas quais alcançou o posto de general e percorreu diversos países na luta contra a dominação espanhola.
O projeto “América de Abreu e Lima” pretende resgatar a história desse homem destacado na história da América Latina e pouco conhecido entre os brasileiros. O site possui informações sobre a vida e obra de Abreu e Lima e de outros libertadores do nosso continente. Destaca a importancia do brasileiro não só como militar mas também como intelectual: “Ao longo da sua vida agitada e combativa, ele também desenvolveu um intenso trabalho como jornalista, polemista, ensaísta e historiador, cabendo-lhe o mérito, entre outros, de haver sido o primeiro a divulgar as idéias socialistas no continente.”
Sem dúvidas ele é o personagem do momento e a figura mais importante da Bolívia nas últimas décadas: Evo Morales. Muitos amam, outros odeiam. Nesse país é impossível ser indiferente em relação ao líder sindicalista que tornou-se o primeiro indígena presidente de um país de população de maioria esmagadora formada por índios e mestiços.
Em tempos de candidatura presidencial (Evo é favorito para reeleger-se), valem as dicas de obras audiovisuais que ajudam a entender a figura do líder Morales.
O filme Evo Pueblo remonta à infância pobre e tradicional do menino Evo numa pequena vila até a migração para a cidade mineira de Oruro e sua chegada à província do Chapare, região tropical do departamento de Cochabamba, onde começavam a se intensificar as plantações de coca. Ali o jovem conheceria sindicalistas, se aprofundaria nas questões políticas e logo se tornaria um grande líder diferenciado em um período em que havia forte perseguição de policiais às lideranças locais.
O ponto forte de Evo Pueblo se dá durante esse período de repressão. Daí a produção dá um longo salto e parece que como mágica o líder sindicalista vira presidente. Apesar da produção simples e da fraca atuação do elenco, especialmente do ator principal que não dá conta de interpretar um personagem da magnitude de Evo, o filme vale pela incrível história desse líder e também pelo registro de paisagens e características culturais da Bolívia.
Cocalero é um documentário que retrata o presidente boliviano e a vida de cocaleiro. Ainda nao assisiti por isso nao farei mais comentários.
Pra quem quer assistir a essas duas obras basta clicar nos links sobre o nome dos filmes. Além desses dois, o Alba Multicanal oferece muitos outros filmes, documentários, rádio, TV, documentos e outras coisas relacionadas a América Latina.
O peruano Mario Vargas Llosa é, sem dúvidas, um dos mais importantes escritores contemporâneos na América Latina. O livro “A Festa do Bode” (La Fiesta del Chivo) mostra bem sua habilidade de escever, as tramas engenhosas e a crítica política presente na obra do autor.
A República Dominicana é o pano de fundo de duas histórias conectadas mas não simultaneas. Urania volta ao seu país de origem depois de muitos anos para visitar seu pai, um antigo político influente que agora encontra-se inválido em estado vegetativo. Ainda adolescente ela foi estudar nos Estados Unidos- justamente na época de decadencia política do seu pai- e se tornou uma profissional muito bem sucedida. Desde que saiu de seu país ela não respondeu a nenhuma carta de sua família e ao chegar revela profundo desgosto com seu pai.
Agustín Cabral, o pai de Urania, foi senador e ministro durante a ditadura na República Dominicana. A outra história percorre os tempos finais dessa ditadura recheada de figuras pitorescas como o próprio ditador, o extravagante Trujillo, apelidado de Bode; os playboys filhos dele; o discreto presidente de fachada Balaguer; outrso personagens como o própro Cabral e líderes clandestinos que pretendem assassinar o ditador.
O desenrolar da trama vai revelar as artemanhas do ditador para manter a ordem e o poder no país, os embróglios internacionais que ameacam a ditadura, as conspirações para assassinar Trujillo e também a decadência inexplicada do senador Cabral e o motivo pelo qual sua filha nutria tanto ódio por seu pai e pelo ditador. O texto de Vargas Llosa é delicioso e a crítica caricata, cômica e inteligente. O interessante é que o texto mistura ficção e realidade, pois Trujillo realmente existiu e foi um ditador que governou a República Dominicana com mão-de-ferro durante três décadas.
Baseado no livro de Juan de Recacoechea, American Visa é um filme bem produzido pelo roteirista e diretor Juan Carlos Valdivia
Um professor de inglês boliviano separa-se de sua esposa e vê seu único filho ir estudar nos Estados Unidos. Sem muitas perspectivas de vida, Mario Alvarez decide ir à capital La Paz para conseguir um visto de turista norte-americano. Na verdade trata-se de um pretexto para poder rever seu filho, ficar ilegalmente e começar outra vida no país distante.
Apesar de julgar que atenderia todos os requisitos (ele oculta o fato de ter um filho morando nos EUA porque isso dificultaria), o professor acaba tendo o visto rejeitado sendo obrigado e impedido de tentar nos próximos seis meses. Ele decide então tentar obter a permissão ilegalmente, e se vê obrigado a buscar um dinheiro que não tem.
Em meio a essa espera, Mario acaba se envolvendo e apaixonando por Blanca, uma sensual stripper interpretada com destaque por Katie del Castillo. Blanca quer abandonar sua profissão mais rechaça a possibilidade de ir viver nos Estados Unidos. Ela propõe a seu amante que se casem e vão viver no interior. O professor acaba ficando a ponto de decidir entre a viagem e a mulher que ama. A trama envolve sedução, crime e aventura.
A decadência e reprovação da herança neoliberal levou a eleição de governos mais a esquerda na maioria dos países sul-americanos e alguns centro-americanos. Pode-se se ver como uma onda reativa ao modelo que vigorou com força nos anos 90, o que permite falar numa nova conjuntura política latino-americana. Porém é preciso notar as especificidades de cada país, uma vez que ainda que cada processo nacional apresenta certo caráter popular, social e de integração continental, os processos apresentam particularidades provenientes de cada conjuntura social e eleitoral das nações. Aqui vamos focar nas relações dos governos com os movimentos sociais em diferentes países.
No caso do Brasil, os movimentos sociais apoiaram em peso a candidaturas vitoriosas de Lula em 2002 e sua reeleição em 2006, seja por entusiasmo em ter ouvidas suas revindicações ou pelo medo do fantasma dos governos tucanos. O Lula que chega ao poder já deixa explícito que seria um candidato conciliador de interesses entre a elite e os desfavorecidos e de fato isso aconteceu e levou a avanços em alguns setores e estagnação ou retrocesso em outros. Sem maioria parlamentar para aprovar projetos de teor popular, o governo decidiu apostar na negociação e busca de consensos no âmbito institucional e acalmar as organizações sociais de esquerda, substituindo a repressão dos mandatos anteriores pelo diálogo. Ainda assim, os ataques da imprensa e dos setores dominates da sociedade brasileira foram fortes e levaram a maioria dos movimentos sociais a atuar na defensiva, apoiando o governo e suas bandeiras. Parte da esquerda reclama da lentidão do processo ou até do retrocesso sob o comando de Lula e decidiu fazer oposição. Isso leva um aumento da tensão interna dos movimentos sociais, com disputa de projetos e cargos nos movimentos estudantil e sindical, sem contudo ameaçar substancialmente a hemegomia do PT e governistas, que mantém a direção de entidades como a UNE e CUT. Já o MST assume uma postura independente, focando-se na sua principal bandeira que é a reforma agrária: reconhece os avanços do novo governo porém reivindica o cumprimento das promessas de reforma agrária, que caminha a passos lentos no país.
Essa postura do MST encontrar ressonância em muitos movimentos camponeses latino-americanos, a maioria de caráter indígena. Inclusive as próximas eleições brasileiras prometem uma nova surpresa: candidaturas de indíos da região amazônica, seguindo o que acontece em países vizinhos. O governo de mais forte caráter indígena certamente é o de Evo Morales na Bolívia, ele próprio de etnia aymara. Sua eleição vem da decadência dos tradicionais partidos e da emergência do MAS, um novo partido de grande força no campo que se define como “instrumento político para a soberania dos povos”. Nesse caso, os movimentos indígenas parecem impulsionar o governo, sendo que muitas vezes realizam “paros” e protestos para pressionar o governo que elegeram.
A identificação e compreensão entre povos nativos e governo que existe na Bolívia não encontra mesma ressonância no Equador do presidente Rafael Correa que recebe forte apoio dos setores de esquerda. Uma líder indígena equatoriana da província de Cañar me disse que realmente há uma grande incompreensão do governo em relação ao modo de pensar e viver dos povos originários. Eles consideram que os que dirigem o país vêem os povos indígenas como um grande grupo de iguais quando na verdade são uma fruto de inumerável quantidade de etnias e culturas. E que ainda que a constituição lhes garanta muitos direitos eles não seriam cumpridos não fosse a mobilização e luta do movimento indígena nas ruas. Há denúncias de repressão e abuso policial como no caso de Dayuma em 2008. A proposta para uma nova lei da água provocou uma nova polêmica que reforça essa contradição, como relata a jornalista Elaine Tavares.
Na Colombia, a situação de ter um governo nacional direitista e aliado estratégico dos EUA na região é ainda mais complicada devido ao problema dos conflitos entre guerrillhas, paramilitares e forças do Exército. Há uma complexa mistura entre forças políticas e narcotráfico. O país é divido entre áreas de atuação de guerrilhas e dos paramilitares, que executam os “serviços sujos” para o governo. No meio desse conflito surgem os “desplazados”, pessoas expulsas de suas casas e comunidades por essas forças. Mortes e sequestros também fazem parte da vida de camponeses e indígenas, como mostra a reportagem de Natália Viana para o portal operamundi.
A Venezuela, país de processo político mais radical, parece ser impulsionada por seu governo, que estimula a organização popular especialmente através dos Círculos Bolivarianos. O governo Chávez supre uma lacuna que ficou vazia desde a crise dos partidos tradicionais que se alternavam no poder durante décadas e culminou na grade crise social que teve seu ápice no Caracazo, em 1989. O país gozou de boa estabilidade devido ao boom do petróleo, sendo dominado por um bipartidarismo elitista que o permitiu ser um dos poucos países livres de ditaduras militares nos anos 70 e 80. Mas o declínio dos preços de seu principal produto na balança comercial iria escancarar o endividamento provocado pelo modelo e provocar uma profunda crise econômica e social, da qual emergeria o líder Hugo Chávez encabeçando um novo partido, o MVR (e posterior unificação das esquerdas no PSUV), e pleiteando um governo de transformação e justiça social. Daí o movimento que se manifestara espontaneamente no Caracazo, a partir do desespero da população diante da crise, ganha impulso para organização e instituicionalização na defesa da chamada Revolução Boliviariana.
Por muito tempo pensei que Maná fosse um cantor mexicano. Na verdade trata-se de uma banda, cujo nome vem do significado da palavra na Polinésia: energia positiva. Desde os anos 80 na estrada, Maná é uma das pioneiras e precussoras do rock de raiz latino-americana cantado em espanhol. Certamente é uma das bandas mais populares de todo continente, qualquer um que já viajou a algum país americano de língua espanhola deve saber disso. Um pop-rock cheio de influências latinas com letras românticas e outras de viés social. O grupo já fez shows lotados no Brasil, mas pra quem ainda não conhece seguem alguns vídeos.
Clavado en un bar mostra a veia Rock’n'roll da banda
Clipe de “Arde el Cielo”
Começa hoje (05/10) a quarta ediçao da Mostra de Cinema e Direitos Humanos da América do Sul. Quase 50 obras audiovisuais entre filmes, documentários, curta-metragens serao exibidos gratuitamente em diferentes cidades brasileiras. Inaugura-se em Sao Paulo e parte para outras 15 capitais: Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiania, Maceió, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador e Teresina, terminando em 10 de novembro na capital bahiana.

Entre os protagonistas estao indígenas, sem-terra, presidiários, estudantes em vídeos que abordam temas como fome, ditadura, movimentos populares, preconceito e repressao. Sinopse dos filmes e programacao em cada cidade estao disponíveis no site oficial do evento. Vou assistir alguns em Sao Paulo e logo comento os melhores para o leitor de outras cidades.
Ela era conhecida como “La Voz de Latinoamérica”. Seu inconfundível e afinadíssimo timbre cantou com intensa emoçao e delicadeza as coisas simples e profundas de nosso continente. Destacou-se interpretando cançoes da chilena Violeta Parra e muitos outros grandes compositores latino-americanos e fez parcerias com músicos brasileiros como Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso e Beth Carvalho, entre outros. América Latina perdeu hoje sua grande cantora, a argentina Mercedes Sosa.
Foram 74 anos vividos e marcas eternas deixadas na história da nossa música e no coraçao de muitos latino-americanos. Queria escrever sobre Mercedes desde muito tempo para esse blog, mas infelizmente o tempo se antecipou e acabo escrevendo um post póstumo. A vida é simples e “a las cosas simples las devora el tiempo”, como diria uma das cancoes interpretada por Sosa. Uma homenagem a essa guerreira romantica. Antes de ir-se Mercedes deve haver dito “gracias a la vida que me ha dado tanto” e o povo aplaude su partida da vida para a eternidade. La esperanza no murrirá y sus canciones nunca se callarán, pues ya eres millones. Has sido nuestra voz, ahora seremos nosotros la tuya…
Seguem alguns vídeos da cantora para que possam relembrar e, para quem ainda nao a conhecia, se deliciar.
Mercedes ainda jovem canta duas cançoes lindas e profundas
A cantora interpreta o clássico Volver a los 17, de Violeta Parra, eternizado em sua voz.