Maio 14 , 2008...8:57 pm

Tupy or not tupy…

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O Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade, deve ser conhecido de todos vocês. Mas acho que sempre vale a pena ler de novo. Isso porque eu, do alto da minha pouquíssima experiência e bagagem, acredito que essa… não sei bem o termo…filosofia é uma das melhores maneiras de começar a entender o Brasil, e o jeito de ser daqui.

O pensamento antropofágico demonstra bem facetas do comportamento brasileiro. Isso eu já disse, mas agora exemplifico.

Aqui existem muitos contrastes e ambiguidades, erudição e complexidade muito ligados, ou convivendo lado a lado, com a simplicidade. Como por exemplo no caso do samba. Artistas como Cartola, que pouco estudaram, foram capazes de produzir música com densas letras, metáforas e lindas melodias. Para ilustrar, sugiro “O Mundo É Um Moinho” que foi feita para a filha dele que era uma prostituta. Esse espírito paradoxal do Brasil pode ser notado também em Gregório de Matos Guerra que barrocamente, como o movimento a que integrava, transitava entre o religioso e o profano. Detalhe que ele é anterior a nosso caro Oswald. Paulo Leminski que falava vários idiomas e era dono de incrível erudição e ainda assim produzia alguns poemas que encantam pela simplicidade na forma e nas palavras. Um exemplo menos conhecido e completamente atual é o rapper Parteum, que alterna versos que se referem , por exemplo a Pablo Neruda com gírias tipicamente urbanas, contemporâneas e por muitos consideradas marginais. Ele mesmo diz “Na rima eu cito Malcom, Martin, Seu Antonio, Dona Bete, Junior…” ou ainda define sua criação em uma música como “Misto de tragédia grega e novela das oito”.

Outro aspecto que gostaria de explorar é a capacidade do brasil de incorporar o elemento estrangeiro no seu cotidiano e cultura. Entretanto, isso é feito sem abrir mão da identidade nacional brasileira. O que ocorre é uma mistura, como muito bem observou um professor meu chamado Jair. Exemplos para isso: Pastel de Pizza, Sushi com Manga, Caipisaquê, Pastel com Caldo de Cana. Alias, quem souber mais exemplo, pode até colocar aí nos comentários que vai ser interessante =D.

Bom, essa foi uma visão simplória sobre o Manifesto Antropofágico. Tenho medo de abordagens como essa, confesso, é a primeira vez que faço algo parecido. Espero ter agradado de alguma forma.

Abraços, compadres.

Lucas Tristão

5 Comentários

  • Pode ficar alegre, Tristão, seu texto ficou muito bom.

    Aliás, o tropicalhismo resgatou o manifesto antropofágico e rompeu com a polêmica dicotomia colocada nos 60: música popular vs rock n’ roll (jovem guarda). Muitos defendiam que a música brasileira não deveria se render a guitarra elétrica do imperialismo, mas por outro lado, a música não deveria estacionar num purismo.

    Caetano, Gil e cia então começaram a elaborar uma música que se apropriava dos elementos da música internacional pra fazer música brasileira. Então, não se tratava da música estrangeira tomando conta do Brasil, mas tinha sim guitarra elétrica.

    Paulinho da Viola, adepto do purismo, um pouco contrariado, acabou se conformando:

    “tá legal, eu aceito o argumento
    mas não me altere o samba tanto assim
    olha que a rapaziada está sentindo a falta
    de um cavaco, um pandeiro e de um tamborim”

    O tropicalhismo rompeu com a dicotomia música popular X rock n’ roll e eu rompo com a dicotomia política X cultura. Taí a simbiose dos dois.
    Tá vendo como política é legal?

  • Lucas, embora os abraços tenham sido destinados apenas aos compadres, não vou me calar! rsrs
    Agradou sim!
    E Davi, riquíssimo comentário! Mas nem vem pagar de “o cara que rompeu a dicotomia política x cultura”. Calmaê galera… Sinto que tem algo mal entendido nesse blog. Simplesmente há as pessoas que preferem não escrever sobre política, alguns por não se sentirem suficientemente qualificados (se é que isso existe) outros por não curtirem o reboliço. De qualquer forma é interessante que nem todos falem exatamente a mesma língua, desde que respeitemos os diferentes “sotaques” e “regionalismos”.
    Comportem-se!!! bjo

  • Eu não me sinto qualificado =) . Viu, isso existe.
    Obrigado pelo feedback construtivo.

  • confesso que ainda não li tudo, mas eu tive que comentar antes, por que na PRIMEIRA FRASE eu tinha certeza que o post era do lucas.

  • A coisa do tropicalismo é bonitinha por que tem ritmo forte e letras legais.

    Enfim, não sei comentar seu post, lucas.
    Escreva, e continue sendo político ao preferir não falar de política stritu sensu.
    Por que o Lato tá em tudo, como bem disse o Davi.

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