Maio 15 , 2008...2:05 pm
E sua mãe também!!
Há coisas que não mudam. Um grande exemplo são os filmes adolescentes: sempre recheados de garotos (as) sedentos por sexo - e se ainda não o são, serão. Há gente que sabe inovar - Amém! Um belíssimo exemplo é o filme Y Tu Mamá También, do mexicano Afonso Cuarón.

Dois jovens, Julio (Gael Garcia Bernal) e Tenoch (Diego Luna), que vêem farra - e sexo, claro! - em tudo o que a vida oferece, têm a companhia de Luisa (Maribel Verdú) para porem o pé na estrada durante as férias. Eles vão para curtir enquanto as namoradas estão na Itália, ela, para fugir da rotina e das brigas conjugais. No final tudo vira um grade aprendizado. Cada um com suas lições.
Filmado todo do ponto de vista dos garotos, tudo é na verdade um ritual de passagem: vida adulta, aqui vou eu! E essa foi mesmo a grande sacada do Afonso: apresentar-nos a visão dos rapazes. Que na verdade, é tão confusa quanto a do espectador. Oras, um filme que é feito para adolescentes não pode ser bem resolvido, convenhamos. Mas se também queres cativar os adultos, o que farás? Simples - ou não: Ser real. Despertar no mais velhos a nostalgia de uma época da qual foram atores, e hoje apenas observam seus filhos atuarem.
É um incessante falar de tudo, e falar nada; mostrar tudo, e a nada deixar ver. São tantos assuntos abordados: sexo, juventude, amizade e globalização, que o aprofundamento era impossível. Mas a perfeita superficialidade é de boquiabertar. Escolheram bem. Poucos são tão latinos e intensos como os mexicanos. Retratar essa juventude é deixar cada jovem se identificar com a trama em algum ponto. E como as locações são encantadoras. Praias de águas transparentes, areia branca e fina, céu azul e brisa fresca.
Mas o filme vai além. Histórias que deflagram a fugacidade de nossa existência, fatalidades repentinas, a condição miserável de grande parte do povo, o êxodo em busca de novas oportunidades de emprego, o rolo compressor da indústria do turismo contemporâneo, a natureza sórdida de fatos políticos são apresentados à todos (personagens e público) de uma forma inesperada. Com ambições também sociais - afinal, filme latino que se preze… rs, ele quer que o público reflita. Seja sobre a passagem para a vida adulta, da qual não podemos fugir, ou sobre as relações inter-pessoais e a quantas anda essa sociedade latina de um conservadorismo inovador - sim, a sociedade latina é mesmo contraditória; ou talvez ainda sobre como nossas menores atitudes podem ter efeitos decisivos sobre a nossa vida e a alheia.
Mas, pessoalmente, a maior reflexão fica por conta das palavras da personagem da sempre grande Maribel Verdú: Não há maior prazer, do que dar prazer…
Mariana Anselmo
4 Comentários
Maio 15 , 2008 em 4:11 pm
Sabia que uma delícia dessa de post só podia ser da nossa baianinha.
Valeu a dica nega!!!
Se tiver o filme aí, vamo socializar… rsrsrs
Me chama pra assistir!
Bjo (ah, vê se melhora essa sinusite - tá perdendo os rocks : p)
Maio 15 , 2008 em 4:19 pm
Fodíssimo este filme!!!
ótimo post também!
também recomendo o filme… você esqueceu que o final é simplesmente maravilhoso e surpreendente, pra deixar o leitor ainda mais curioso e correr pra locadora (ou pro download…rsrs)
Maio 16 , 2008 em 11:00 am
Oras, um filme que é feito para adolescentes não pode ser bem resolvido, convenhamos. Mas se também queres cativar os adultos, o que farás? Simples - ou não: Ser real.
nesse trecho o post já tinha me ganhado.
Maio 18 , 2008 em 11:04 pm
Também adorei o post. Quanto ao filme, tentei ver por duas vezes e, por motivos de força maior, nas duas tentativas, não consegui terminar. O tempo passou e caiu no esquecimento. É hora de alugar de novo.
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