Maio 18 , 2008...3:48 pm

Haiti ocupado, Brasil o culpado?

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Continuando a histórinha sobre o Haiti iniciada em post anterior

A invasão estadunidense em fevereiro de 2004 não deu muito certo não. Faltou legitimidade aos novos governantes que colocaram lá. Aí em junho chegaram novas tropas da Onu que constituíram a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), lideradas pelo Brasil e com apoio de todos os países latino-americanos à exceção de Cuba e Venezuela. Jogada de mestre!

Vejam bem… quais os interesses envolvidos? Primeiro: os Estados Unidos saem de cena, o que alivia bastante para o lado deles já que estão ocupadíssimos com a desastrosa ocupação do Iraque. Entram em cena os brasileiros, que substituem o anti-americanismo forte no Haiti pelas tropas do país do futebol, esporte que os haitianos também amam. Nessa história até a seleção brasileira entrou em misão de paz, disputando uma partida contra a seleção local e desfilando em carros da Onu numa cerimônia emocionante e apaixonada pelas ruas da capital haitina. Brasil 6 x 0 Haiti. O massacre brasileiro infelizmente não ficaria só no futebol. Se a seleção fez um amistoso e foi embora, as tropas ficaram para fazer um “treinamento” nada amistoso. O que o Brasil quer com essa ocupação?

Quer ampliar sua influência internacional e mais futuramente barganhar uma vaga permanente no Conselho de Segurança da Onu. De quebra já estamos preparando nosso exército para outras possíveis ocupações, especialmente na América Latina, onde podemos exercer nossa função sub-imperialista. A missão da Onu é um fracasso, minha gente! As eleições para a presidência do Haiti eram o carro-chefe para garantir a estabilidade do país, mas o que as forças internacionais conseguiram foi armar um tremendo papelão…

Marcado para fins de 2005, o pleito só seria realizado em 2006, com três meses de adiamento devido ao atraso na emissão dos títulos de eleitor. Quando os haitianos puderam finalmente votar veio a decepção: suspeita de fraude. As pesquisas apontavam que o ex-presidente René Preval seria eleito em primeiro turno, entretanto, o comitê elitoral afirmou que haveria segundo turno. Aí já viu, né? Manifestações nas ruas e repressão da Minustah. Préval não aceitou disputar o segundo turno e, no fim das contas, pra evitar mais problemas mudou-se as regras das eleições. Descontou-se os votos nulos e brancos e René Préval conseguiu atingir mais de 50% dos votos e foi considerado eleito.

Diante desse tumulto assume o novo presidente, sem um projeto claro para o país. O Banco Mundial oferece ajuda, desde que o governo aceite a política proposta pelo CCI, um grupo de “especialistas” de maioria não-haitiana que propõe um plano de médio prazo para o Haiti, que inclui privatizações de empresas e recursos naturais. O projeto é: aproveitar a mão-de-obra barata a favor de empresas multinacionais, explorar o turismo das belezas caribenhas e criar diversas zonas francas para isenção de impostos para produtos estrangeiros. E a Minustah continua em ação…

Extras:
- Repressão no Haiti:a responsabilidade da ‘esquerda’
-Exército Brasileiro atua com repressão no Haiti
- Site do movimento haitiano Batay Ouvriye (em inglês,espanhol, francês e crioulo), contrário à ocupação. No Brasil, a maioria das manifestações pela retirada das tropas brasileiras são realizadas pela Conlutas.

- Músicas Haitianas- Uma mistura da sensualidade do ritmo caribenho com o charme da língua francesa (ou crioula, que é outro idioma oficial do país)

Vitor Taveira

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