Maio 20 , 2008...12:06 pm

Nuestros Niños

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Nossos niños nascem com uma predisposição genética à felicidade. Essa é a impressão que temos ao ver as crianças de bochechas queimadas pelo frio e pelo sol trabalhando na recepção de gringos em pontos turísticos da nossa América. Elas posam diante das suas lentes, sorriem sinceras ou não, te encantam com sua simpatia e te pedem “moneditas”.
Quando se é criado em um ambiente fabricado para encantar, nada mais natural que tornar-se um personagem e viver aquela trama aceitando cachês e os cobrando sempre que necessário (estendendo as mãozinhas e dizendo com voz mansa “monedita”).

Durante minhas andanças pela América Latina vi crianças trabalhando na captação de clientes pros bares e restaurantes nas areias quentes das praias peruanas e equatorianas, vendendo artesanato e doces, pedindo dinheiro nas ruas, carregando bagagens de turistas nas rodoviárias, fazendo exibições musicais típicas em praças e ônibus e sobretudo, sendo crianças. Realizavam todo o trabalho sorrindo, cantando, brincando com os amigos. Possuíam uma felicidade simples e inexplicável. Muitos desses meninos e meninas não freqüentam escolas, mas já sabem os nomes e preços dos produtos que vendem em inglês, sabem pedir e agradecer na língua dos que os sustentam – os gringos.

Dentre vários personagens infantis marcantes na minha viagem, destaco dois:
A menina da foto acima que me encantou de cara ao chegarmos em uma das ilhas flutuantes no Lago Titicaca. Ela simplesmente sorriu com os olhinhos fechados, as bochechas queimadas pelo frio e pelo sol e me abraçou fazendo uma pose pra foto (detalhe: eu não estava tirando foto no momento, mas ao ver aquela gracinha fazendo pose, o Martin sacou a câmera e fotografou), em seguida estendeu a mãozinha, sorriu novamente com os olhinhos fechados e disse com voz infantil e suave “monedita”.
Minha segunda figurinha brilhante, foi um garotinho que conhecemos (eu, o Martin e o Daniel – suecos que viajavam comigo) na Plaza de Armas em Cuzco. O moleque perguntou de onde éramos. Os meninos responderam que eram da Suécia, o chico falou: “ capital Stockholm, moeda Swedish Crowns “ e outros detalhes que nem me lembro mais sobre o país. Quando eu disse que era do Brasil o garoto desandou a falar “ capital Brasília, moeda Real…”, falou várias coisas sobre o nosso país e finalizou com o que mais me chamou a atenção: “presidente Lula”, nessa hora ele imitou a mão esquerda do Lula e falou “que só tem 9 dedos”. Rsrs… O garoto era muito bom!

Fico imaginando o que será feito de tanto potencial. O que temos visto até o presente momento é um grande desperdício. Aproveita-se apenas o potencial dos filhos de classes mais abastadas, enquanto o potencial do povo vira história pra gringo rir.

Gaby Louzada

6 Comentários

  • Medo. É isso o que sinto quando penso sobre esse assunto. O que será do futuro dessas crianças explodindo talento? Se “venderem” por moneditas até quando?

    no mais… boooooooooa Gaby Danada! rs Post ficou porreta!

  • Lembrei de quando fui pra Itacaré. Uma praia lindíssima, um lugar maravilhoso, um monte de gringo torrando no sol e aqueles menininhos de 5, 6 anos vendendo “coisitas por moneditas”. É triste viu?

    O guri chegava perto da gente e perguntava:
    - Me compra uma paçoca?
    E eu não entendia. Daí a gente comprou. Na verdade, ele vendia e ele comia a paçoca. Você comprava dele e para ele. Eu achei engraçado na hora. Mas deve ser doloroso demais.

    Aquela simpatia, aquele carisma todo, vira simplesmente historinha pra turista rir.

  • Ou como no Pelourinho, em Salvador. Salvador é cheio de Capitães de Areia, Gabrielas, Quincas Berro-D’águas… com o detalhe, talvez inesperado para Jorge Amado, de viverem do/para o turismo.

  • jej, está bueno
    te faltó el niño de Mendoza.
    Saludos

  • É mesmo, as crianças são exploradas por toda parte na América Latina. Viajando vemos elas sempre com a mãozinha suja estendida pedindo moneditas, o que não vemos é a exploração sexual que elas sofrem e a qual se sujeitam com o aval muitas vezes da própria família.
    Em Buenos Aires e em Montevidéu se diziamos que não tinhamos dinheiro para dar pra elas, elas diziam que servia real mesmo! Pode! Gaby tem razão, olha o desperdício! Essas crianças deveriam estar na escola e não se vendendo por aí nem por moneditas, nem por reales nem por nada!

  • Rodrigo Sánchez
    Maio 26 , 2008 em 11:54 am

    Chega a dar nojo pensar que essa realidade é conveniente (e mantida assim) pra quem detem o poder. Gerações nascendo e morrendo privadas de qualquer direito em nome da manutenção da vida boa de poucos por aí. É essa a racionalidade do ser humano?

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