Nem todo mundo na américa Latina fala espanhol e nem toda literatura latino-americana é Borges. Em Porto Príncipe, capital do Haiti, por exemplo, além do dialeto local, se fala oficialmente francês. Um de seus autores consagrados é Edouard Glissant. É deste senhor, ainda na ativa literária, que falarei a seguir.
Escritor antilhano, descoberto recentemente por mim, mas mesmo assim uma surpresa tão boa que senti a vontade de compartilhá-la com todos. O único livro que li dele até agora foi “La Lézarde” (algo como “O Rio”). Eu me identifiquei muito com este livro porque ele trata de temas elementares da Filosofia, quem ler minha biografia vai que sou filósofa de formação.
Uma história de descobertas, paixões, política, amor, desafios que representam o caminho do herói com a finalidade de alcançar sua maturidade existencial por meio da descida em direção ao desconhecido. Esta poderia ser a descrição de qualquer romance si o autor não fosse Edouard Glissant, o que fez de “La Lézarde” o ganhador do prêmio Renaudot de literatura em 1958.
“La Lézarde” não é um romance comum pois ele é primeiro um romance antilhano, de um autor das Antilhas, nascido na Martinica mas que viveu e estudou vários anos na França. Glissant traz, portanto, para sua escrita o olhar do estrangeiro, do colonizado que procura seu país e sua cultura em todos os lugares do mundo. Assim, o calor, as disputas políticas serão o cenário para “La Lézarde”, narrativa que conta a história de Thaël, jovem solitário, para dentro de si mesmo.
“La Lézarde” é aparentemente um livro simples para ler, se não levarmos em consideração que a história da qual Glissant se serve para colocar em evidência seus questionamentos filosóficos e sua voz poética. A partir do jogo entre os opostos, Glissant conduz o leitor pelo jogo do olhar, esse olhar em falso que pode muito bem cegar uma comunidade assim como um cidadão. Qual é a verdade por trás da lenda? Em quem acreditar depois que a lenda é destruída? Estas questões “La Lézarde” não procura explicar, mas sim incitar como ponto de discussão na reflexão do leitor.
No momento em que o leitor terminar a leitura deste romance ele pode, o que não quer dizer que todos o farão, compreender a totalidade da obra.
Assim vemos que essa América Latina nos surpreende sempre e sempre. Para além das fronteiras físicas, barreiras culturais precisam ser ultrapassadas para se chegar a um acordo político entre as Américas.
MONICA DINAH

1 Comentário
Julho 25 , 2008 às 1:47 am
fiquei curioso…
só umas dúvidas:você leu ele em francês ou português? onde comprou?