Outubro 18 , 2008...2:30 pm

Mais EZLN: liderança, comunicação e arte

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Impossível falar dos zapatistas e não mencionar a sua principal liderança: o sub-comandante Marcos. Trata-se de uma figura enigmática, que tradicionalmente aparece com rosto escondido, usando um fone e fumando cachimbo. As interpretações possiveis são diversas: primeiramente ao declarar-se sub-comandante, subentende-se que há um comandante maior, supostamente Zapata, ou talvez o povo como um todo. Ao cobrir o rosto (como muitos zapatistas fazem, destacadamente as lideranças) está de certa forma protegendo contra a criminalização dos movimentos socias, que geralmente ataca os líderes como maneira de desarticular as organizações. Por outro lado, afirma-se uma grande liderança que não tem rosto, ou seja, despersonaliza-se o líder. Trata-se de um personagem e não de uma pessoa. E aí entra o genial lema zapatista: “TODOS SOMOS MARCOS”, ambiguidade proposital. E o que representa esse personagem? O próprio movimento responde:

“Marcos é gay em São Francisco, negro na África do Sul, asiático na Europa, hispânico em San Isidro, anarquista na Espanha, palestiniano em Israel, indígena nas ruas de San Cristóbal, rockero na cidade universitária, judeu na Alemanha, feminista nos partidos políticos, comunista no pós-guerra fria, pacifista na Bósnia, artista sem galeria e sem portfólio, dona de casa num sábado à tarde, jornalista nas páginas anteriores do jornal, mulher no metropolitano depois das 22h, camponês sem terra, editor marginal, operário sem trabalho, médico sem consultório, escritor sem livros e sem leitores e, sobretudo, zapatista no Sudoeste do México. Enfim, Marcos é um ser humano qualquer neste mundo. Marcos é todas as minorias intoleradas, oprimidas, resistindo, exploradas, dizendo “Já basta!” Todas as minorias na hora de falar e maiorias na hora de se calar e agüentar. Todos os intolerados buscando uma palavra, sua palavra. Tudo que incomoda o poder e as boas consciências, este é Marcos.”

O mais provável é que Marcos trata-se de um ex-professor da UNAM, principal universidade do México e o maior berço de pensadores marxistas da América Latina. Seu discuso alinhado é crítico e feroz aos efeitos do neoliberalismo ao mesmo tempo em que carrega um incrível leveza e beleza na valorização da cultura indígena e popular.

Outro ponto interessantíssimo é que os neozapatistas valorizam imensamente as ferramentas de comunicação, especialmente as novas tecnologias. No site do movimentos pode-se encontrar todas as declarações publicadas por eles até hoje. Também possuem uma rádio que transmite diretamente da selva e que pode ser ouvida on-line. A valorização da arte e da cultura indígenas é constante, verificada nos versos poéticos do sub-comandante Marcos ou nas bonitas pinturas que colorem os muros dos territórios zapatistas.

Vitor Taveira

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