Hoje é dia de desmontar a decoração de natal de nossas casas, esquecermos do espírito natalino e voltarmos à vida normal de menosprezar as pessoas e fazer vista-grossa para os problemas sociais de nosso país. Tá, não é para tanto, mas o dia 6 de janeiro, menos conhecido como Dia de Reis, é o dia oficial de esquecimento do natal, pelo menos pelos próximos onze meses.
O mais curioso do natal no Brasil é a adaptadação de uma crença importada à realidade de nosso País. Todos os shoppings ficam cobertos de neve artificial. Um país tropical que nunca viu neve fica todo coberto de neve artificial em pleno verão, irônico, não? Renas, trenós, bonecos de neve, meias de lã, nozes e até as chaminés não são comuns no cotidiano dos brasileiros. Pelo menos serve para estimular a mente das crianças brasileiras, que apenas uns 3% delas, ainda verão neve algum dia na vida. Outra coisa interessente é a ceia, comidas pesadas e gordurosas, ideais para se misturar com muita bebida nesta festa tão “calorosa”.
Não serei tão incisivo em acabar com o Papai Noel e voltarmos com o Vovô Índio, ideia (sem acento) natimorta proposta pelo jornalista Cristóvam Camargo na década de 30 para substituir o velho gordo de gorro vermelho. Não quero acabar com a “tradição” e propor algo totalmente brasileiro, só gostaria que todos tirassem melhor proveito desta época, para que ao invés de se individar para comprar lembrancinhas as pessoas realmente pensassem em promover algo melhor para o próximo.
Então vamos aproveitar o supracitado espírito natalino e aquecer nossos corações nesta nevasca artificial que vivemos. Façam com que os gestos sejam verdadeiros e que a apenas a neve seja falsa. Muitas vezes um presente caro vale muito menos que uma boa ação de cortesia.
Rafael Venturini