Outubro 19 , 2009...9:48 pm

A festa do Bode

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O peruano Mario Vargas Llosa é, sem dúvidas, um dos mais importantes escritores contemporâneos na América Latina. O livro “A Festa do Bode” (La Fiesta del Chivo) mostra bem sua habilidade de escever, as tramas engenhosas e a crítica política presente na obra do autor.

A República Dominicana é o pano de fundo de duas histórias conectadas mas não simultaneas. Urania volta ao seu país de origem depois de muitos anos para visitar seu pai, um antigo político influente que agora encontra-se inválido em estado vegetativo. Ainda adolescente ela foi estudar nos Estados Unidos- justamente na época de decadencia política do seu pai- e se tornou uma profissional muito bem sucedida. Desde que saiu de seu país ela não respondeu a nenhuma carta de sua família e ao chegar revela profundo desgosto com seu pai.a-festa-do-bode

Agustín Cabral, o pai de Urania, foi senador e ministro durante a ditadura na República Dominicana. A outra história percorre os tempos finais dessa ditadura recheada de figuras pitorescas como o próprio ditador, o extravagante Trujillo, apelidado de Bode; os playboys filhos dele; o discreto presidente de fachada Balaguer; outrso personagens como o própro Cabral e líderes clandestinos que pretendem assassinar o ditador.

O desenrolar da trama vai revelar as artemanhas do ditador para manter a ordem e o poder no país, os embróglios internacionais que ameacam a ditadura, as conspirações para assassinar Trujillo e também a decadência inexplicada do senador Cabral e o motivo pelo qual sua filha nutria tanto ódio por seu pai e pelo ditador. O texto de Vargas Llosa é delicioso e a crítica caricata, cômica e inteligente. O interessante é que o texto mistura ficção e realidade, pois Trujillo realmente existiu e foi um ditador que governou a República Dominicana com mão-de-ferro durante três décadas.

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