Novembro 12 , 2009...8:55 pm

Nuevo Cine Latino-Americano

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Ano passado, no encontro de História das Américas realizado na Ufes pude fazer um ótimo minicurso de cinema com as jovens doutoras Mariana Vilaça e Mônica Araújo Lima. Cada uma seguiu um pouco de sua linha de pesquisa: Mariana sobre cinema cubano e Mônica sobre o argentino. Apesar do pouco tempo de curso deu pra aprender algumas coisas, que vou explicitar adiante.

O chamado Nuevo Cinema Latino-Americano foi um importante movimento artístico e político que floresceu principalmente nos anos 60 e 70. Na Argentina, a produção iniciou-se no Instituto de Cinematografia de Santa Fé, que apesar de sua curta duração (1956-1962) foi muito relevante na formação dessa escola latino-americana. Foi fundada pelo grande expoente argentino do nuevo cine, Fernado Birri. O cineasta havia estudado em Roma, onde sofreu influência do Neo-realismo italiano (Roberto Rosselini, Vittorio de Sica, Luchino Visconti), que encontrou formas baratas de fazer cinema no período pós-guerra e que tinha como marcas a grande recorrência às cenas externas e à abordagem do homem-comum. Birri também utilizou conceitos de Gramisci para defender o cinema como uma forma de disputa de hegemonia através do discurso. Tratava-se de uma tentativa de fazer um cinema que servisse tanto para a arte como para a trasformação social. A principal obra de Birri é o filme Tiridí.

O golpe violento golpe militar argentino em 1966 viria a causar importantes efeitos no cinema do país. Fernando Birri fugiu para o Brasil, onde desempenhou papel relevante. Enquanto isso, desenvolvia-se o Grupo Cine Liberación (1966-1971) que teve como membros destacados Fernando Solanas, Octavio Getino e Gerardo Vallejo. O filme mais importante desse movimento é a trilogia documental La Hora de Los Hornos, de Fernando Solanas, que conta a história de exploração e aponta possibilidades de transformação social a partir da luta popular.

No caso cubano, também destaca-se o tom documental e é relevante a influência do cinema-verdade francês e do cinema soviético (como o clássico “O Homem com a Câmera”, de Vertov). Um dos destaques é o documentário Hasta Siempre, de Santiago Álvarez. Muitos artistas vão filmar em Cuba à convite do governo revolucionário que acabara de assumir o poder.

Porém, a figura mais relevante do cinema cubano é Tomás Gutierrez Alea. O cineasta é um caso atípico, que utiliza a ironia, a paródia e a metáfora. Seu filme mais famoso, Memórias do Subdesenvolvimento, conta a história de um escritor burguês simpático à revolução cubana, mas que não consegue se inserir nela. Acaba perdido num vazio entre uma burguesia que foge para Miami e uma revolução popular que não é sua. Neste e em outros filmes o cineasta usa sua sutilieza para criticar a burocracia do sistema soviético, o que desagrada o governo cubano. Porém, por seu grande sucesso e projeção internacional desde o início da carreira, Alea acaba sendo “tolerado” pelo regime castrista. Ao abusar da ambiguidade, ele destoa da maioria dos autores do cinema político, que geralmente utilizam o maniqueísmo como recurso.

Outro importante feito para o cinema latino-americano foi a criação da Cinemateca del Tercer Mundo, no Uruguai. Na época, tratava-se do país onde mais se assistia filmes no continente, dotado de forte cultura cinematográfica. Porém, a ditadura militar destruiria a cinemateca, que mesmo assim continuaria tendo uma importância histórica por servir de exemplo para tentativas de fazer algo parecido em outros países da região.

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